Josué de Castro há décadas demonstrou que a fome é uma doença social, criada e mantida no contexto do capitalismo. Silenciosa e aviltante, degrada seus alvos em sua esfera biopsicossocial, desumanizando. Embora a produção excedente e ambientalmente insustentável dos produtos e insumos alimentícios no mundo, a escassez na sua distribuição demonstra a existência de um tipo de necropolítica que atinge determinados grupos sociais. Essa conjuntura revela um cenário de violações massivas do direito constitucional, fundamental e humano à alimentação, sobretudo nos países considerados em desenvolvimento, como o Brasil. São as mulheres amefricanas, assim, avassaladoramente atingidas por essa política de exclusão e morte, perpetuada pelo poder estatal, mesmo no terceiro milênio. A obra, resultado da pesquisa realizada desde 2010, objetiva abordar os aspectos teóricos e estatísticos, em vieses quantitativos e qualitativos, de modo a evidenciar a urgência de uma proposta de política pública capaz de conferir o necessário atendimento ao problema da fome das mulheres negras brasileiras, atravessadas pelos efeitos da interseccionalidade. Os alimentos sociais, termo cunhado de forma inédita por essa pesquisadora, busca designar uma categoria de análise para propor formas de garantir o acesso ao direito constitucional à alimentação, sobretudo por meio da focalização de política pública redistributiva, entendendose a transferência de renda como uma das formas de administração deste conflito. Marca: Não Informado