Em Chão de exílio (2021), a escritora amazônida Wanda Monteiro costura com fios de poesia uma narrativa intensa sobre os traumas vividos durante a ditadura militar no Brasil. O livro atravessa tempos e afetos, misturando lembranças pessoais com a dor coletiva do país que ainda carrega os escombros da repressão. Embora seja ficcional, a obra traz à tona a ausência do pai, a tentativa da mãe de proteger a filha da verdade violenta, e os ecos históricos que se perpetuam no presente. Monteiro escreve como quem acende vagalumes na escuridão da história — e entrega ao leitor uma escrita que não apenas denuncia, mas também encanta.