O livro Das mesas aos jornais: a identidade alimentar de Belém do Pará na mídia aproxima os campos da comunicação e da alimentação e propõe um estreito diálogo entre eles. As comidas, os cheiros e os sabores de Belém do Pará, que emanam pela cidade há alguns séculos, nem sempre foram reconhecidos como típicos. Hoje, representam o estado, nacional e internacionalmente, com pratos e ingredientes emblemáticos, como o açaí, o pato no tucupi, o cupuaçu, o pirarucu e o ?lhote, dentre vários outros. A obra admite a tipicidade como uma construção lenta e gradual, e trabalha a partir da noção de uma cozinha mestiça, somatória tanto de tradições e de costumes indígenas, portugueses e africanos levados por pessoas em situação de escravização quanto do processo exploratório, de violência e resistência, que foi a colonização. Entendendo pratos, ingredientes e hábitos alimentares como formas de comunicar, o livro recorre às teorias da comunicação para melhor compreender e analisar as publicações coletadas e veiculadas pelo jornal Diário do Pará no período de 1982 a 1986, possibilitando perceber os alimentos como um nicho da indústria cultural e da chamada sociedade do espetáculo. O livro trata, ainda, de temas como a alimentação instagramável e a notoriedade de chefs de cozinha que se utilizam desse espaço midiático e in?uenciam milhares de pessoas. Analisa como esses fenômenos podem auxiliar na difusão das comidas típicas de Belém, lançando mão de fontes históricas, como anuários publicitários, revistas e guias turísticos, para delinear um panorama dos hábitos alimentares da população belenense, veri?cando que a regionalização da cozinha de Belém do Pará não é um processo organizado e uniforme. Pelo contrário, constitui-se como um processo gradativo tendo contado com a presença e/ou o contributo de diversos atores.