Neste Marí lia bela, a Ruth Rocha oferece ao leitor uma oportunidade rara: viajar para a Ouro Preto do sé culo XVIII, quando a cidade ainda era chamada Vila Rica. Acompanhando os passos da narradora, a pequena Marí lia, nos vemos di ante de uma realidade muito diferente da nossa: a escravidã o estava no auge, por exemplo, e nã o havia cinema, nem televisã o, nem computador — as pessoas (os brancos, claro, pois os negros nã o podiam ir a lugar nenhum ) se divertiam fazendo saraus, que eram reuniõ es em que se ouviam mú sicas e se recitavam poemas. Um desses poemas, aliá s, falava de uma tal “ Marí lia bela, do cé u de estrela...” , e a personagem da nossa histó ria achava que tinha sido feito para ela. Ainda bem que ela nã o contava isso para ningué m, pois a verdade é que ele tinha sido inspirado pela namorada de Tomá s Antô nio Gonzaga, que viria a se tornar um d os maiores poetas brasileiros. Ilustrado por Helena Alexandrino, que conseguiu compor autê nticos painé is do cotidiano da é poca, Marí lia bela é Ruth Rocha em um de seus grandes momentos. Daí a graç a, a inteligê ncia, a consciê ncia histó rica e alegria de viver que inundam as pá ginas do livro.