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Lima Barreto gostava de publicar as suas crônicas em jornais e revistas de pequena circulação, obscuros, "aos quais ninguém dá importância", como ele mesmo confessou. O que hoje chamaríamos de imprensa alternativa. A palavra, aliás - encarada como uma espécie de estigma, de marginalidade -, se ajusta bem à vida e à obra do próprio escritor, que detestava a grande imprensa, da mesma forma que abominava a alta sociedade e os poderosos do mundo. Revoltado, amargo, reclamando de tudo, dominado pelo sentimento de autodestruição, mantinha porém no fundo uma certa pureza de criança mimada, magoada e desiludida com a brutalidade da vida.
As suas crônicas, a maioria delas escrita no período de 1918 a 1922, expõem com força esses sentimentos, não raras vezes expressos num tom panfletário, de crítica violenta às instituições políticas e sociais ("nossa vilã e ávida sociedade burguesa", escreveu), sátira aos costumes e identificação com o povo.
Com o tempo, aumentam a prevenção contra a burguesia e a identificação com o povo, ou pelo menos com um conjunto de sentimentos e comportamentos, idealizados ou não, que atribuía ao povo. Desta posição pessoal vem a sua simpatia pelos movimentos de reivindicação da classe operária e por acontecimentos históricos como a Revolução Russa de 1917.
Com muito mais força e indignação, ele trata de um problema que o atingia pessoalmente, o preconceito racial, mais aprofundado em sua obra de ficção.
Afastando-se do gosto dominante da época, onde predomina um certo artificialismo de expressão, Lima Barreto escreve as suas crônicas em tom de conversa familiar. A linguagem pode ser acusada de frouxa, o estilo descuidado. Mas essas pequenas deficiências são resgatadas por uma intensidade de vida, raras em sua época. Talvez por isso continuem tão vivas.