A pec a Meus olhos (ou de medo e cuidado) reu ne muitos temas, como uma rosa apertada pelas ma~os do dramaturgo, com um pouco de sangue e um corte suave na pele e o espremido da flor pren- sada. E para ser ouvida como um samba-canc a~o antigo, bem ao modo de Lupici nio, uma pec a com o real, sem realismo banal. Os temas ve^m de uma visa~o social profunda de quem conhece de perto aquelas vidas, como professor de teatro da cidade de Sa~o Gonc alo que presenciou e ouviu histo rias de luta de seus trabalhadores, a baixa visa~o que degrada Ednaldo (observada em alunos de escola pu blica que na~o conseguem ler, sa~o criados por vizinhos, desamparados pelos pais e pela vida, mas cheios de esperanc a), a histo ria de uma faxi- neira cuidadora de idosos que me inspirou a criar a personagem Alcina, mulher sofrida, com a inte- gridade de um animal, e na~o de uma santa, que criou um filho no Morro do Castro, e espera sua volta depois de anos de prisa~o. O filho da Alcina real continua preso. O da pec a sera logo solto.