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Está uma noite cristalina longe das luzes brilhantes das grandes cidades. Uma lua cheia e brilhante arrasta-se, libertando-se do cimo das árvores. As estrelas cintilam como diamantes sobre um céu de veludo negro. Mas o céu noturno não é só o que aparenta... A luz visível que os nossos olhos captam constitui apenas uma pequena e sumida porção de toda a luz que irradia pelo Universo. A chuva que cai do espaço para a Terra é uma torrente sem fim de "luz" invisível.
Durante a maior parte da história da Humanidade estivemos completamente cegos a esta luz, mas nos últimos anos os astrônomos abriram-nos os olhos. Construíram-se novos telescópios capazes de ver raios-x, raios infravermelhos, ondas de rádio e qualquer outro tipo de luz invisível. Agora, pela primeira vez, podemos observar as maiores glórias do Universo. [...] E o que se vê é bastante real: são os resíduos do Big Bang, a bola de fogo titânica da qual nasceu o Universo. Inacreditavelmente, 15 biliões de anos depois, ainda permeia cada poro do espaço. [...]
Na verdade, a radiação do Big Bang constitui cerca de 99 por cento de toda a energia luminosa que flui neste momento no Universo.[...] A história extraordinária da descoberta dos resíduos da radiação do Big Bang constitui o principal elemento deste livro. Com as suas reviravoltas tortuosas, acidentes e oportunidades perdidas, constitui um magnífico exemplo do modo como a Ciência realmente se desenvolve.
As micro-ondas cósmicas de fundo são o "fóssil" mais antigo da criação. Chegaram até nós diretamente do Big Bang e viajam pelo espaço há 15 biliões de anos. Foram emitidas pelo arrefecimento da matéria na explosão e, por isso, são a imagem do Universo logo após o Big Bang. Olharmos para o céu das micro-ondas é o mesmo que ver um instantâneo do Universo de há 15 biliões de anos.