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Ler Edgar Allan Poe exige coragem. Exige, também, uma forte atração por universos densos, repletos de seres cujas existências situam-se na zona fronteiriça entre vida e morte. Não é à toa que o autor norte-americano acabou inscrevendo seu nome como o maior escritor de terror. Um terror, todavia, muito mais psicológico.
Um terror que investiga o interior do ser humano e sua capacidade de praticar atos que poderiam ser considerados tortos, terríveis, grotescos, mas que, para aqueles que os executam, tornam-se necessários, vitais. Um terror que, ao mesmo tempo em que inquieta e assusta, seduz e convida à leitura.
Essa é a magia da escrita de Poe: a capacidade de promover o prazer estético a partir do grotesco. Poucos autores atingiram a perfeição ao desvendarem as dores, as frustrações, as loucuras humanas.
Assim, enveredar pelo mundo claustrofóbico de Allan Poe é sempre possibilidade de encontro com criaturas doentes. Homens e mulheres que se descobrem pessoas capazes das maiores atrocidades, como faz o protagonista do conto Berenice, em seu fascínio pelo sorriso de dentes claros da prima, cuja doença a aniquila.
Todavia, se a morte apresenta-se como dor, maior tragédia se instala quando a mulher retorna para buscar o que lhe foi tirado.