Madrugada ainda escura ele já estava sentado num tamborete de uma perna só, ao lado de uma vaca que acabara de amamentar seu bezerro, por pouco tempo, só para pojar o úbere e fazer o leite descer, e descer macio. Depois era o bezerro amarrado à mão da mamãe vaca, e Seu Tatão no lugar onde ele estava, escorripichando. O patrão, que não largava o cigarro de palha, também já estava por ali tirando suas baforadas, enquanto apartava as vacas já esgotadas para seus devidos lugares. Tinham que madrugar porque o leite deveria ser entregue na cooperativa até as oito horas. Levado em latas ajustadas às cangalhas, sobre lombos de burros e mulas, era uma hora de viagem até a fábrica. Isto era todo santo dia, exceto na Sexta-feira da Paixão. Mas mesmo neste dia o leite tinha que ser tirado, senão doíam os úberes das vacas e, se deixassem os bezerros mamarem tudo, era diarreia na certa. Só não era levado para a fábrica, era distribuído para as pessoas pobres das redondezas, que já amanheciam no retiro com suas vasilhas. Marca: Não Informado