Sou a quarta filha de pais ouvintes. Com surdez congênita, tive acompanhamento fonoaudiólogo, tanto no desenvolvimento da língua oral, como da escrita, desde criança. A comunicação em família se dava por meio da oralização e da leitura orofacial. Minha família e uma equipe multidisciplinar trabalharam com seriedade e determinação para que eu pudesse alcançar tudo o que é possível a uma ouvinte. Aos cinco anos de idade fui transferida para uma escola especial, com muitos alunos surdos, mas ainda era obrigada a oralizar. Para aprender a falar, eu colocava uma mão no meu pescoço ou na minha face e a outra mão no pescoço ou na face da pessoa que estava me ensinando, para sentir a vibração do som e tentar emitir esse som com a minha voz. Nos momentos informais, as crianças surdas se comunicavam usando gestos e alguns sinais básicos da Língua de Sinais Brasileira (Libras). E foi nesse contexto que a Libras foi introduzida em minha vida. Logo, aos dez anos de idade, fiz um cursinho de Libras, aprendi o alfabeto manual, sinais novos e assuntos sobre cultura surda. Passei a conviver com outros surdos para troca de experiências. Na sequência, voltei a estudar em classe comum. Os professores comunicavam-se com os surdos em língua portuguesa e em língua de sinais, mas as escolas ainda não estavam preparadas para o ensino bilíngue – o que havia era o português sinalizado. Nessa época, meus pais, já bem informados sobre a língua de sinais, vendo o meu progresso, entenderam que a Libras deve ser a língua de instrução e de interação dos surdos, seguida da modalidade escrita da língua portuguesa, ensinada com metodologias de ensino de segunda língua. Marca: Não Informado